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sábado, 5 de abril de 2008

Passatempo

Vou escrevinhando a vida,
Na doce claridade das manhãs
Diante do espelho
Envelheço

Embalado pelo tempo
Recorto e
Colo as lembranças
Tingidas na infância
Como passatempo.

O vento levou meus sonhos
Para aonde, não sei.
Na esperança
Saio em busca deles
Retorno carregando
O mesmo vazio de sempre.




Tchalé Figueira - Pintor Mindelense

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Conversas silenciosas

Olá! Estou de volta ao meu novo espaço, desta vez, para colocar em exposição um texto com sabor de poesia, oriunda de meus escritos. Tenho resistido fazer este tipo de gênero, pois além de não escrever poesia, estou distante do ato de poetar. Ou por outro lado, são rascunhos, rabiscos, ou exercícios de minha escrita que apresento aos amigos.
Algumas de minhas amigas e principalmente Marilene, leitoras do que escrevo, sempre me estimularam para publicar com mais freqüência o que forçosamente chamo de poesia. Se é ou não, para mim basta que eu identifique como tal. E vou seguindo na fila, sem muita divulgação, produzindo meus escritos, agora em dois espaços. E nesta divisão contemplei a cada um dos netos com um espaço. Ora pra um, ora pra outro.
Como no blog Quitanda
dei preferência para colocar como moldura trabalhos de diferentes artistas e apenas com o intuito de divulgar manifestações destes artistas plásticos brasileiros; em Esquinas do Tempo pretendo concentrar em artistas que trabalham com gravuras ou xilogravuras. Vez por outra, artistas estrangeiros serão escolhidos. Todos aqui em exposição parte da idéia simples, a beleza transmitida por estes artistas, no entanto, foi o meu gosto que deu rumo as escolhas. Com este intuito tenho procurado na internet o material para deixar em exposição. Optei recentemente por resumir os dados biográficos dos artistas para atender aos possíveis leitores, tal decisão somou-se a preocupação por não se tratar especificamente de um espaço dedicado as artes e sem estas características, alimentar um público interessado e ou estudioso de modo precário. Acho que na internet através de pesquisas ou no site dos artistas elencados neste espaço, caso tenham interesse em explorar com mais detalhes a arte e o artista, o caminho sem dúvida é este.
Obs: Não se espantem se ao visitarem este blog, esbarrarem em um escudo do meu time ou material pertinente que tenho produzido a cerca dele. Resolvi deixar neste blog, assuntos desta e outra natureza.

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Conversávamos em silêncio

Debruçados em um papel

Em branco.

Ficamos distraídos

Colorindo sonhos

Monótonos

Desenhando borboletas azuis

Escrevendo por linhas tortas

Com sabores do passado

Nossos melhores.

Momentos foram

Construídos pelas ilusões passageiras que

Vagavam

Entre nós

Apertadas

Entrelaçadas

Aos nossos corpos

Opostos

Mergulhados no vazio

Profundo.







Glênio Alves Branco Bianchetti - Gravador, Ilustrador, Pintor, Tapeceiro e Professor. Considerado pela critica como um dos artistas mais completo de nosso país. Seu primeiro livro editado foi prefaciado por Ferreira Gullar. Nasceu em Bagé, no ano de 1928. Um dos participantes na criação do Clube da Gravura de Bagé ao lado de vários artistas,dentre eles: Glauco Rodrigues, Vasco Prado, Danúbio Gonçalves e Carlos Scliar.

domingo, 9 de setembro de 2007

Na Rua

Ando pelas ruas eternas, atravesso esquinas, dobro quarteirões ,
transito pelas calçadas
Cortadas. Emburacadas
Atravancadas
Cheias de ambulantes.
Silêncio estão trabalhando!
Enquanto,
Pivetes cheiram mergulhados no odor
Da sobrevivência
Cambaleantes
Surrupiam nossos pedaços
São manchetes de jornais
nas bancas de revistas.

Paro em sinais, sigo.
Avanço sem direção na contramão
Rápido passo pelos pedestres,
Desvio
De outros.
Olho seus olhos

Mulheres que encantam as ruas
Algumas quase nuas
Desfilam
Idosas se multiplicam
Pelo tempo.
Os homens envelhecem
Aquecem a vida.

Luzes da cidade
Cintilam como os faróis.
O homem acena
Em cenas urbanas.
Carros e bicicletas
Atropelam

O apito quebra o silêncio
Momentâneo
Gritos barulhos buzinas choros
Sirenes escandalosas berram pelas
Avenidas, travessas e becos
Túneis abandonados escuros
Assustam

Vozes das cidades
Operários nos canteiros
Cimentam emoções
As crianças correm em
Busca da utopia.

Apressados esbarram
Xingam, Protestam
Resmugam
Abaixo o Caos!
Ando na multidão
Ouço em um canto
o canto dos pássaros
Engaiolados como nós.
Fingem que são alegres
Felizes para sempre.

Na porta do café
Conversam, bebem
Os namorados beijam
Esquecidos do tempo
Os mendigos dormem
E pedem
Afugentam
O esgoto purifica o ar
Viciado

O homem mija no coqueiro da praia
Cachorros brincam na areia, sorriem
Uns pros outros
A praça é do povo.

O sol ilumina minha paisagem.
Rasgo em passos céleres meus
Caminhos sinuosos.
Despojados

Dou voltas e sigo
Rumo
Para o meu
Mundo

À noite surge diante de mim
A lua desfaz meu delírio
Fecho os olhos
Acordo adormecido
Ouvi um grito parado
No ar.